terça-feira, setembro 21, 2010

Um apelo às tradutoras...

Um apelo às tradutoras...

Gente, hoje eu vim falar de um assunto muito sério e triste: a situação dos livros traduzidos.

Quero deixar claro que minha intenção não é criticar as pessoas que se disponibilizam para traduzir, mas é chamar atenção para coisas importantes, principalmente nossas responsabilidades, visto que nos disponibilizamos por vontade própria para tal tarefa.

Algumas pessoas têm me perguntado por que eu comecei a traduzir livros, e, inúmeras vezes tenho respondido que, é principalmente pela péssima qualidade das traduções disponíveis. Bem, esta resposta me deixa muito, muito triste.

Quando eu comecei a ler e-books traduzidos livremente, não me incomodei com os erros e falhas nas traduções porque eu entendia o que estava sendo dito de uma forma geral. Mas comecei a perceber que a qualidade do meu próprio português estava em declínio, passei a cometer erros absurdos que eu jamais cometeria e isso me piscou um alerta. Eu nunca tive o hábito de ficar vendo quem traduziu qual livro por dois motivos: primeiro, 98% das traduções estavam comprometidas com estes erros; e segundo, eu vou direto ao texto, sem olhar as considerações entre a capa e o primeiro capítulo (ou prólogo).

Pessoas, mesmo sendo um trabalho cansativo e voluntário, não podemos esquecer a quantidade de pessoas que serão atingidas ao ler nossas traduções, a quantidade de pessoas influenciadas por elas. Para o bem ou para o mal. Não adianta estimular o hábito da leitura e dizer que ele produz crescimento, se com este hábito você ensina (ou aprende) coisas erradas. Eu lembro de um tempo atrás ter visto uma reportagem falando que o povo brasileiro não sabe interpretar texto. Estas não são minhas palavras, são palavras da pesquisa feita, porém me fazem refletir mais ainda sobre a situação das traduções.

Por que eu estou falando tudo isso? Bem, porque eu posso me dar ao luxo de parar e ler um livro em espanhol,e, até em inglês (embora mais lentamente). Mas a maioria das pessoas não pode. E além de não ter este acesso à outras línguas, estamos denegrindo seu português.

Eu, definitivamente não leio mais traduções, com exceções de algumas raras..

Gente, é muito sério isso. Eu vi problemas sérios, que não eram de digitação ou lapsos momentâneos (que podem ocorrer com qualquer pessoa), mas erros brutos. Um exemplo, de todas as traduções que eu li, apenas umas duas ou três empregavam a palavra tráfego corretamente, em todo o resto sempre traduzem tráfico no lugar de tráfego. Da mesma forma ocorre em muitas traduções certas trocas:

- depredador no lugar de predador;
- emprestava no lugar de prestava;
- sonha em lugar de soa;
- listado no lugar de listrado;
- crie em lugar de crê;
- chego em lugar de chegado (veja a conjugação correta aqui)
- trago em lugar de trazido (mesma situação anterior)
entre outros.

Pensando nestes problemas, destaquei dois sites interessantes que eu sempre uso de referência quando tenho dúvidas:

- Brasil Escola
- Conjuga-me

Além deles, uma pesquisa básica, uma "googleada", também já ajuda.

Gente, vamos nos comprometer de uma forma melhor à nossas traduções, por favor. Precisamos melhorar a qualidade, fazer algo sério, com cuidado, com carinho.

Eu vejo cada vez mais pessoas desistindo de ler traduções, e partindo para ler em inglês e outras línguas, mesmo que com certa dificuldade. Vamos remediar isso? Vamos mostrar que podemos fazer as coisas com excelência, buscando cada vez mais a perfeição.

Não quero me excluir, ou esquecer que eu também cometo erros. Mas eu me comprometo aqui, agora, com os leitores que farei meu melhor para uma tradução próxima à perfeição, próxima à uma tradução profissional.

Espero que todos entendam meu recado, não como crítica, ou agressão, mas como um alerta, um pedido para crescimento e amadurecimento.

Beijos à todos...
Lana Hawk.

2 comentários:

Faber disse...

Concordo plenamente, Lana!

Poiesis disse...

Lana, faço minhas as suas palavras, pois tenho esse cuidado quando faço alguma tradução. Outra questão é que como sou portuguesa, falamos e escrevemos de forma diferente do Brasil, então tenho que prestar atenção em pequenos pormenores de gramática. Jinhos